terça-feira, 29 de junho de 2010

A TRISTE DESCOBERTA

Logo as minhas idas e vindas na empresa passaram a ser freqüentes.

Num certo dia, voltando para minha casa na Kombi Azul e Branca da Folha Metropolitana o Arizate passou a tocar meus órgãos genitais e exigiu mesmo em troca.

Com a minha inexperiência e infância simples, eu não sabia muito bem o que estava acontecendo e não reagia aos seus ataques.

A partir desse momento descobri o sexo de uma forma equivocada e com os valores completamente invertidos.

Além disso, era a primeira vez que eu tinha contato com esse tipo de situação na minha vida.

Fui criado no meio do mato, e na minha infância eu vivia com um estilingue pendurado no pescoço caçando passarinhos, nadando e pescando no rio Paraná que banhava a minha cidade.

Tinha uma vida totalmente caipira e nunca ouvi falar sobre essas coisas.

O mês de fevereiro chegou, e o feriado de carnaval estava se aproximando.

E por determinação da empresa não íamos trabalhar no feriado. Pegamos folga na segunda e na terça-feira, mas voltaríamos ao trabalho na quarta-feira de cinzas.

Foi quando o Arizate fez um convite para passar um final de semana com sua família na represa de Santa Isabel/Igaratá.

De certa forma, tudo aquilo parecia ser normal, já que eu estaria no acampamento com sua esposa e filhos.

Por esse motivo meus pais autorizaram a viagem sem questionar nada. Pois o Arizate sempre demonstrou simpatia e acolhimento.

A partir desse feriado, mais surpresas começaram a aparecer.

Trabalhei normalmente no domingo e fomos viajar na segunda-feira logo pela manhã com a Kombi da Folha Metropolitana.

Ele passou em casa com sua família e depois pegamos mais três colegas de trabalho na suas casas.

Durante o caminho ele disse que sempre fazia esse tipo de viagem com os seus funcionários e tinha a autorização da empresa para pegar o veículo.

Fomos pela Rodovia Presidente Dutra e depois entramos na cidade Santa Isabel, e logo em seguida pegamos uma estrada secundária para chegarmos até o local. A viagem durou mais ou menos uma hora meia por causa da precariedade da estrada ao longo da represa.

Assim que chegamos à represa, montamos uma barraca pequena e outra grande junto a Kombi. Sua esposa fez um sanduíche para todos na hora do almoço.

O dia parecia tranquilo, enquanto a esposa do Arizate brincava com seus filhos nas margens da represa, ele nos convidou para pescar em outro lugar.

Para chegar ao local da pesca, tínhamos que andar uns 15 minutos aproximadamente por uma trilha que margeava a represa. Ele demonstrava conhecer muito bem o local onde estávamos acampados e chegando ao local escolhido, tive a grande revelação da minha viagem.

Arizate passou a acariciar os meus colegas sem nenhum pudor ou constrangimento.

Foi então que descobri que eu era o iniciante do grupo e os garotos que estavam comigo já tinham passado por isso, já que nenhum deles reagiu aos ataques deferidos por ele.

Logo em seguida, o Arizate veio ao meu encontro com suas roupas abaixadas pedindo para fazer sexo com ele.

Tomei um susto, mas percebi que todos os meus colegas já tinham feito o mesmo e não havia problema nenhum.

Meus colegas me incentivaram a fazer sexo com ele e por causa disso não tive como negar. Todo tempo que tivemos relação sexual, ele segurava as minhas mãos com muita força nos seus órgãos genitais.

Fazendo com que eu o masturbasse o tempo todo. Logo após os atos sexuais, voltamos para o acampamento como se nada tivesse acontecido.

O mesmo aconteceu na terça-feira, ele saiu para pescar e nos chamou para ir com ele. Não tinha como negar, e foi ai que as chantagens começaram a aparecer.

A única lembrança que existe do local é de uma pequena cachoeira onde todos nós brincávamos, inclusive com os filhos e esposa do Arizate.

Na quarta-feira de cinzas, voltei para o trabalho normalmente. No final do expediente ele me convidou para almoçar na empresa.

Eu recusei. Foi quando ele disse para nunca comentar com meus amigos ou familiares sobre essas coisas. Se alguém ficasse sabendo dessa história ou algo parecido ele me mandaria embora da empresa e as coisas passariam a ficar complicadas para o meu lado.

A partir desse dia comecei a trabalhar sobre muita pressão, e foi ai que passei a entender por que alguns dos meus colegas sofriam agressões físicas do Arizate dentro da Kombi da Folha Metropolitana.

Jamais poderia imaginar que um funcionário da empresa que me contratou se comportaria como um maníaco. O triste de tudo isso é que eu passaria a conviver com ele diariamente com durante meses.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O TRABALHO

Em janeiro de 1988, fui admitido como vendedor de jornal pela Empresa Jornalística Folha Metropolitana de Guarulhos, sob a responsabilidade de uma pessoa cujo nome era Arizate.

A equipe era formada por aproximadamente doze crianças. Cada um era levado pelo Arizate na Kombi da empresa para seu ponto de venda específico.

E eu fui designado para vender o jornal em um farol no centro de Guarulhos ao lado do Corpo de Bombeiros.

O meu horário trabalho era de terça a domingo das 4 às 10 horas da manhã. Sendo que aos domingos eu deveria vender os jornais dentro de uma padaria que ficava na Praça dos Estudantes no centro da cidade.

No meu primeiro final de semana de trabalho, um fato curioso aconteceu. Ocorreu uma tremenda confusão, perto da padaria onde eu estava, havia uma banca de jornal e o dono alegou que eu estava “roubando” os clientes dele. Assim, naquele dia ele pegou todos os meus jornais e jogou fora.

O dono da banca de jornal ligou para a empresa reclamando a minha presença naquela região. Mas tudo foi esclarecido e o meu trabalho prosseguiu.

Após esse episódio, tudo parecia tranqüilo, eu chegava no horário, vendia os meus jornais e depois voltava para casa sem problema algum.

Podia chover ou fazer frio que eu estava todos os dias cumprindo com minha obrigação. Eu ficava sentado em frente de uma drogaria na Avenida Emílio Ribas esperando a Kombi passar e me levar até o meu farol para vender meus jornais.

Conforme os dias se passavam eu ia conquistando os clientes que paravam no farol. Eles começaram a comprar meus jornais todos os dias. E isso me deixava bastante animado com o meu trabalho.
A meta diária de venda para cada um dos garotos era de 20 jornais. Acima disso, a comissão aumentava. Sempre cumpri minha meta e por isso me sentia útil e agradecido pelo emprego. Já que o meu trabalho ajudava de alguma forma minha família.

Às vezes passávamos necessidades e o meu chefe sabendo disso, passou a me convidar para ficar até o final do seu turno, pois ele me levaria para almoçar na gráfica da empresa.

Comecei a acompanhá-lo várias vezes por semana até a gráfica principal que ficava localizada nas margens da Rodovia Presidente Dutra.

A empresa dispunha de um enorme refeitório com comida farta onde eu podia saciar minha fome. Depois disso ele me levava para casa e em seguida eu ia para a escola Anita Saraceni onde cursava a 7ª série do ensino fundamental.

Com o passar do tempo, Arizate conhecia mais e mais a minha vida particular. Tudo que ele perguntava sobre minha família eu respondia naturalmente, já que ele demonstrava interesse em me ajudar.

E foi assim que as surpresas começaram a aparecer... Chantagens, insinuações e coações.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A MUDANÇA

Nasci no interior do Paraná numa cidade chamada Porto Rico. Segundo o IBGE, hoje ela tem uma população de 2500 pessoas.

Meu pai era produtor de café na região e nossa família desfrutava de uma vida próspera e repleta de conforto.

A casa onde morávamos, tinha quatro dormitórios, três carros na garagem e uma bela área de lazer. Posso dizer que ela tinha uns 300 metros quadrados.

Em 1987, eu tinha 12 anos e não foi um bom ano para o meu pai. Ele entrou numa crise financeira devido aos planos econômicos do governo Sarney.

Meu pai “quebrou”.

Por vergonha e orgulho, meu pai não teve coragem de encarar as dificuldades e tomou uma decisão que não agradou ninguém da família.

Ele disse que nós íamos embora da cidade e escolheu a capital paulista para dar início a uma nova fase de nossas vidas.

A família queria ficar em Porto Rico para tentar recomeçar a vida, já que ali tínhamos muitos amigos que poderiam nos ajudar, mas foi em vão o nosso apelo.

Para saldar todas as dívidas com os bancos, meu pai vendeu os bens que a família havia conquistado durante anos. Vendeu sítios, casas, carros, caminhões e tratores.

Quitou todas as dívidas e o único dinheiro que restou foi o da venda dos móveis da nossa casa.

Então, meu pai e meu irmão mais velho vieram para São Paulo no dia 05 de dezembro de 1987. Acabaram alugando uma casa no Gopoúva, um bairro em Guarulhos. A nova casa foi mobiliada com móveis que foram comprados por eles em uma loja de usados.

Uma semana depois, o restante da família chegou somente com as roupas do corpo.

Meu pai arrumou um emprego de ajudante geral em uma fábrica de autopeças, minha mãe começou a trabalhar como costureira numa empresa de aluguéis de roupas, minha irmã em uma agência de empregos e meu irmão como balconista em uma padaria.

Eu fui trabalhar como vendedor de jornal nos faróis de Guarulhos.

A partir daquele momento a realidade era outra. Nós todos tínhamos que trabalhar, caso contrário seria difícil sobreviver numa cidade grande.

E foi aí que começou a minha história...

terça-feira, 22 de junho de 2010

ACABOU O SILÊNCIO

Não posso mais protegê-los com meu silêncio. Isso só favorece os pedófilos.

EM BREVE DAREI INÍCIO A MINHA HISTÓRIA.

Fui vítima de pedofilia durante dois anos e aqui nesse blog contarei detalhes sobre os abusos que sofri na minha infância.
Não pouparei nomes e nem detalhes dessa triste passagem da minha vida.
Aguardem...

Abraços.
Zhé Souza