Nasci no interior do Paraná numa cidade chamada Porto Rico. Segundo o IBGE, hoje ela tem uma população de 2500 pessoas.Meu pai era produtor de café na região e nossa família desfrutava de uma vida próspera e repleta de conforto.
A casa onde morávamos, tinha quatro dormitórios, três carros na garagem e uma bela área de lazer. Posso dizer que ela tinha uns 300 metros quadrados.
Em 1987, eu tinha 12 anos e não foi um bom ano para o meu pai. Ele entrou numa crise financeira devido aos planos econômicos do governo Sarney.
Meu pai “quebrou”.
Por vergonha e orgulho, meu pai não teve coragem de encarar as dificuldades e tomou uma decisão que não agradou ninguém da família.
Ele disse que nós íamos embora da cidade e escolheu a capital paulista para dar início a uma nova fase de nossas vidas.
A família queria ficar em Porto Rico para tentar recomeçar a vida, já que ali tínhamos muitos amigos que poderiam nos ajudar, mas foi em vão o nosso apelo.
Para saldar todas as dívidas com os bancos, meu pai vendeu os bens que a família havia conquistado durante anos. Vendeu sítios, casas, carros, caminhões e tratores.
Quitou todas as dívidas e o único dinheiro que restou foi o da venda dos móveis da nossa casa.
Então, meu pai e meu irmão mais velho vieram para São Paulo no dia 05 de dezembro de 1987. Acabaram alugando uma casa no Gopoúva, um bairro em Guarulhos. A nova casa foi mobiliada com móveis que foram comprados por eles em uma loja de usados.
Uma semana depois, o restante da família chegou somente com as roupas do corpo.
Meu pai arrumou um emprego de ajudante geral em uma fábrica de autopeças, minha mãe começou a trabalhar como costureira numa empresa de aluguéis de roupas, minha irmã em uma agência de empregos e meu irmão como balconista em uma padaria.
Eu fui trabalhar como vendedor de jornal nos faróis de Guarulhos.
A partir daquele momento a realidade era outra. Nós todos tínhamos que trabalhar, caso contrário seria difícil sobreviver numa cidade grande.
E foi aí que começou a minha história...
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