sexta-feira, 25 de junho de 2010

O TRABALHO

Em janeiro de 1988, fui admitido como vendedor de jornal pela Empresa Jornalística Folha Metropolitana de Guarulhos, sob a responsabilidade de uma pessoa cujo nome era Arizate.

A equipe era formada por aproximadamente doze crianças. Cada um era levado pelo Arizate na Kombi da empresa para seu ponto de venda específico.

E eu fui designado para vender o jornal em um farol no centro de Guarulhos ao lado do Corpo de Bombeiros.

O meu horário trabalho era de terça a domingo das 4 às 10 horas da manhã. Sendo que aos domingos eu deveria vender os jornais dentro de uma padaria que ficava na Praça dos Estudantes no centro da cidade.

No meu primeiro final de semana de trabalho, um fato curioso aconteceu. Ocorreu uma tremenda confusão, perto da padaria onde eu estava, havia uma banca de jornal e o dono alegou que eu estava “roubando” os clientes dele. Assim, naquele dia ele pegou todos os meus jornais e jogou fora.

O dono da banca de jornal ligou para a empresa reclamando a minha presença naquela região. Mas tudo foi esclarecido e o meu trabalho prosseguiu.

Após esse episódio, tudo parecia tranqüilo, eu chegava no horário, vendia os meus jornais e depois voltava para casa sem problema algum.

Podia chover ou fazer frio que eu estava todos os dias cumprindo com minha obrigação. Eu ficava sentado em frente de uma drogaria na Avenida Emílio Ribas esperando a Kombi passar e me levar até o meu farol para vender meus jornais.

Conforme os dias se passavam eu ia conquistando os clientes que paravam no farol. Eles começaram a comprar meus jornais todos os dias. E isso me deixava bastante animado com o meu trabalho.
A meta diária de venda para cada um dos garotos era de 20 jornais. Acima disso, a comissão aumentava. Sempre cumpri minha meta e por isso me sentia útil e agradecido pelo emprego. Já que o meu trabalho ajudava de alguma forma minha família.

Às vezes passávamos necessidades e o meu chefe sabendo disso, passou a me convidar para ficar até o final do seu turno, pois ele me levaria para almoçar na gráfica da empresa.

Comecei a acompanhá-lo várias vezes por semana até a gráfica principal que ficava localizada nas margens da Rodovia Presidente Dutra.

A empresa dispunha de um enorme refeitório com comida farta onde eu podia saciar minha fome. Depois disso ele me levava para casa e em seguida eu ia para a escola Anita Saraceni onde cursava a 7ª série do ensino fundamental.

Com o passar do tempo, Arizate conhecia mais e mais a minha vida particular. Tudo que ele perguntava sobre minha família eu respondia naturalmente, já que ele demonstrava interesse em me ajudar.

E foi assim que as surpresas começaram a aparecer... Chantagens, insinuações e coações.

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